Tralha (1)
e ali estava os dois.
nos lugares da frente de um carro. à sua volta algumas famílias petiscavam depois do passeio dominical, aproveitando os bancos e as mesas de pedra sujos que lá permaneciam há muito.
no silencio do interior do carro ela descalçava a sapatilhas lentamente.
ele observava-a.
ela, apercebendo-se disso, sentiu-se despida naquele segundo. a sua respiração profunda não o disfarçou.
nem ela tentou disfarçar esse sentimento. ele conhecia-a bem demais.
"vou ligar o rádio. preciso de quebrar a intimidade deste momento."
no entanto, ela percebeu algo naquele mesmo instante. o rádio não faria diferença alguma.
não precisava de se esforçar por parecer perfeita perante ele. tinha encontrado um verdadeiro amigo.
dedicado a todos os amigos verdadeiros, que verdadeiramente nos aceitam e que já sabiam que "o essencial é invísivel para os olhos" muito antes de lerem o princepizinho.

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